domingo, 2 de maio de 2021

O Regente

Nesta oportunidade intento divulgar um trabalho que realizei ano passado, 2020, durante a pandemia de Covid-19, que culminou na publicação, pela Editora Penalux, do livro O Regente: 22 Lições de Maquiavel ao Professor. 

O propósito principal do livro é orientar o professor  em como se portar no tocante à gestão de alunos no interior de uma sala de aula. Para tanto, procedi ao esforço de garimpar ensinamentos e normas de conduta expressos no renomado trabalho de Maquiavel, O Príncipe, e adaptá-los para as vivências experenciadas pelos regentes na escola. 






Interessados em adquirir a obra devem clicar aqui para serem direcionados ao site da editora. Que Deus abençoe a você e a toda sua família. Abraços!

domingo, 4 de abril de 2021

As tormentas e os marinheiros

 

Há quem diga que exista certa relação entre inibição adulta e reprovação excessiva do comportamento quando mais jovem. De fato, se um indivíduo, em sua infância, padece de sucessivos cerceamentos e reprovações, enquanto adulto, a fim de evitar passar por semelhantes desgostos, se retrai, diminuindo a amplitude de suas ações.

            Algo similar ocorre algumas vezes no interior de uma sala de aula: Professores que desde o início de sua atuação profissional tiveram de lidar com turmas em demasiado agitadas e apinhada de alunos insolentes, e não se saíram bem, tendem a manter um comportamento amedrontado, inerte, passivo e lisonjeiro para com os estudantes, ainda que se situe em ambientes sobremaneira mais plácidos.

            A tese que desejo aqui defender, ainda que com recurso a poucas palavras, é que não faz sentido que seja assim; as adversidades não deveriam nos enfraquecer, mas produzir efeitos absolutamente contrários. De fato, o manuseio da enxada para a capina, por quem dela seja estranho, lhe produzirá bolhas e feridas na mão. Porém a exposição reiterada a esse tipo de agressão fará com que a pele torne-se progressivamente mais grossa, de forma que onde antes havia dor, agora ela não existe mais, pois os terminais nervosos vão naturalmente perdendo a sensibilidade; onde havia feridas, calos e protuberâncias do couro gradativamente assaltam-lhe o lugar. Assim como sucede nesse caso, as feridas da alma, senão por natureza, ao menos impositivamente, deverão, com o correr do tempo e a exposição a estímulos externos, se cicatrizar e engrossar até ficarmos definitivamente cauterizados do que outrora nos agredia.

            Não intento, neste texto, apontar para os instrumentos eficazes no processo de cauterização, mas exortá-lo a manter-se de pé e prosseguir avante. Encontre uma forma de tornar o seu medo em coragem; de transformar a sua inibição em ação. Vencido esse obstáculo, terá um livre caminho a percorrer! (Até se deparar com outro impedimento, como é da natureza das coisas! Rs)

 

Da mesma forma que bons marinheiros são forjados durante as tormentas, o bom administrador não terá suas qualidades realçadas em tempos de calmaria.

 

O Regente: 22 Lições de Maquiavel ao Professor. Editora Penalux, 2021 

sexta-feira, 19 de março de 2021

Barões e Ministros na Sala

 

               Salas de aula, como são de se esperar, comportam uma ampla gama de personalidades, de gostos, preferências, predisposições, formas de se ver o mundo e de se lidar com ele. Há alunos de postura recatada, mais inclinados a ouvir e a respeitar as hierarquias, mas também existem aqueles menos propensos a obedecer os ordenamentos preexistentes. Antes de prosseguir, necessário torna-se ponderar que a análise que aqui efetuo não visa estabelecer marcos e definições precisas das múltiplas peculiaridades dos indivíduos que frequentam a escola; ao contrário, as considerações que teço procuram ir apenas um pouco além do senso comum, caracterizado pela aceitação irrefletida de tudo.

               Diante de tamanha diversidade de características, e levando-se em conta os exíguos instrumentos de coerção, não se pode crer que o professor administre seus alunos na sala de aula por via da imposição absoluta de sua autoridade – a bem da verdade, seria esta uma atitude contrária ao preconizado por parâmetros educacionais atualmente. Em razão disso, o governo deverá ser exercido não de modo autocrático, mas compartilhado entre os discentes.

               Como nem todo alunos têm interesse em exercer papel de protagonismo junto a seus pares, a outorga de poder efetivamente ocorrerá apenas a um grupo. E dentro deste grupo, haverá aqueles cuja prevalência é inata; e os demais, os quais, embora não exibam esta mesma característica com mesma desenvoltura e independência, possuem em si mesmos capacidade e desejo de prevalência.

Inspirados por Maquiavel, compararemos os primeiros a barões, enquanto os últimos a ministros, conforme a passagem a seguir:

 

[...] os principados, cuja memória se conserva, foram governados de dois modos diversos: ou por um príncipe ajudado por ministros [...]  ou por barões [...]. (Cap. IV, O Príncipe, Maquiavel)

 

               Em resumo, de semelhante forma o nosso governo, na condição de docentes, deverá ser exercido não à maneira de um autocrata que baseia seu poder e autoridade em armas físicas ou psicológicas que amedrontam seus liderados, mas compartilhado entre os alunos que anseiam por isso em meio a seus colegas.

 

 

 

O Regente: 22 Lições de Maquiavel ao Professor. Editora Penalux, 2021.

quarta-feira, 17 de março de 2021

A Ação Preventiva na Sala de Aula


            No século XVI, Nicolau Maquiavel deliberou escrever um livro contendo instruções que orientariam o monarca de um país a bem regular, de maneira a conservar-se no governo e realizar uma administração aceitável por seus súditos. De modo bastante transparente, aliás, a motivação principal foi escrever um manual de conduta para o príncipe que unificaria a fragmentada Itália de então.

            Entendendo haver similitudes entre as ações dos príncipes, e dos governantes de um modo geral, e os atos peculiares ao professor em sua atividade docente no interior de uma sala de aula, resolvi ler cuidadosamente o referido livro composto por Maquiavel, intitulado O Príncipe.

            Confirmando ali as muitas semelhanças que suspeitara, muito tempo depois da primeira leitura tomei a resolução de extrair dele todas os principais preceitos úteis aos docentes, e, mediante uma breve aplicação de cada um deles ao nosso contexto, compor um material que estivesse embebido, de certa maneira, da mesma causa que motivou o secretário florentino: Servir ao professor como manual de cabeceira para lhe guiar as ações no seu espaço de trabalho, onde é o governante.

            Nesta primeira postagem que farei sobre a temática do livro que compus, elencarei um tópico tratado em meu livro, e a partir dele desenvolverei de modo bastante abreviado uma aplicação ao nosso trabalho na docência. Leiamos o excerto a seguir:

 

Os romanos, vendo de longe as perturbações, sempre as remediaram e nunca as deixaram seguir o seu curso, para evitar guerras, pois sabiam que a guerra não se evita, mas, se é protelada, redunda sempre em proveito de outros. (cap. III, O Príncipe, Maquiavel)

 

Muitos educadores repugnam com veemência discursos que colocam os alunos da escola básica, nomeadamente as crianças e os adolescentes, como potenciais promotores de desordem, brigas, desorganização e caos.

 

O meu tempo de docência em escolas públicas estaduais proporcionou-me uma experiência tal com estudantes, com sala de aula, e com escola em seu espaço mais amplo, que não me permite sequer imaginar que esses tais educadores exerçam suas funções laborais como professores. Eles podem até lidar com assuntos relacionados à educação, mas jamais com alunos – à exceção de uns poucos, é claro, pois sempre existem remanescentes.

 

Ao falar da atitude dos romanos, maior e mais poderoso império dos primeiros séculos da Era Cristã, ao ressaltar as ações preventivas que levavam a cabo a fim de evitar confrontos bélicos traumáticos, Maquiavel ensina-nos, enquanto administradores de pessoas, a como proceder a fim de evitar embates mais contundentes.

 

Em suma, o professor prudente tem, como urgente e inadiável dever, visando ao proveito não apenas dele, como de todos da turma, de estar em completa vigilância e atenta observação aos movimentos dos alunos dentro da sala de aula, especialmente quando galopam rumo à subversão, revolta, animosidades e dissensões.

 

 

 

O Regente: 22 Lições de Maquiavel ao Professor. Editora Penalux, 2021.

 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

A SEQUÊNCIA DIDÁTICA



           

A implementação ocorreu ao longo de 14 aulas de 50 minutos cada, organizadas segundo 9 momentos, a seguir discutidos de maneira sintética. Antes de passar à discussão da estrutura que soergue a sequência didática, é oportuno recordar que a sugestão de uma forma pela qual conteúdos de FMC podem ser inseridos na Educação Básica, enquanto um dos propósitos do presente trabalho, será ao longo das próximas etapas levada a efeito. De fato, tópicos como dualidade onda-partícula, efeito fotoelétrico e espalhamento Compton estiveram presentes de maneira expressa ou não nas discussões, sempre fundamentados em conceitos clássicos com os quais os alunos já haviam entrado em contato, mormente aqueles relativos ao estudo de colisões entre partículas materiais.

 

1º Momento

            Não prevista pelos passos constituintes de uma UEPS (MOREIRA, 2011), a existência deste momento se justifica oportunidade de rememoração dos conceitos clássicos, precedentemente estudados, sobre os quais a interação das radiações eletromagnéticas com a matéria esteve assentada.

 

Quadro 1 - Objetivos e finalidades associadas ao 1º Momento.

1º Momento

Aula

Objetivos e finalidades

Aplicar o Jogo Pedagógico Nível 1 a fim de consolidar e retomar conhecimentos sobre os tópicos usuais abordados quando do estudo de Colisões e Quantidade de Movimento.

            Fonte: Os autores.             

2º Momento

            Associado ao 1º e 2º passos dentro da estrutura de UEPS, neste momento se procurou definir os tópicos a serem abordados e propor situações que levassem os alunos a revelar seus conhecimentos prévios sobre o assunto.

 

Quadro 2 - Objetivos e finalidades associadas ao 2º Momento

2º Momento

Aula

Objetivos e finalidades

Levantar as concepções que têm os alunos a respeito de alguns dos tópicos centrais à temática da interação entre radiações eletromagnéticas e matéria.

            Fonte: Os autores.

            Inicialmente foram feitas algumas perguntas à classe em forma de discussão. Após isso, um questionário discursivo para registro das concepções prévias foi à turma distribuído.

 

3º Momento

            Seguindo o 3º passo de uma UEPS, buscou-se propor situações-problema, a nível introdutório, que levassem em conta o conhecimento prévio do aluno e que, ao mesmo tempo, contribuíssem para preparar o terreno ao que estaria por vir.

 

Quadro 3 - Objetivos e finalidades associadas ao 3º Momento

3º Momento

Aula

Objetivos e finalidades

Propiciar, nos alunos, a capacidade de confrontar o comportamento corpuscular com o ondulatório.

Chamar a atenção para o comportamento dual exibido pela luz.

            Fonte: Os autores.

            As ações foram conduzidas de maneira a responder a uma situação-problema (MOREIRA, 2011), a saber: A luz comporta-se como onda ou como “corpo”, ainda que seja este imaterial? Por essa razão, na primeira das duas aulas simulações foram exploradas com o intuito de destacar (a) propriedades do comportamento corpuscular que seriam relevantes quando a luz fosse examinada, por meio do programa Laboratório de Colisões, no PhET, e chamar a atenção para (b) qualidades do movimento ondulatório exibidas na água e no ar, mediante o programa Interferência de Ondas, da mesma plataforma.

            Finalmente, na segunda aula o comportamento dual da luz recebeu o devido realce: primeiro, por meio de uma experiência virtual no já citado Interferência de Ondas, o comportamento ondulatório se viu manifesto quando se propagava de um ponto a outro do espaço; depois, enfatizou-se o comportamento corpuscular da luz exibido quando de sua interação com a matéria, algo realizado com o uso do programa Efeito Fotoelétrico, também do PhET.

 

4º Momento

            Em consonância com as orientações gerais relativas ao 4º passo de uma UEPS, neste momento se procurou promover a apresentação do conhecimento a ser aprendido, começando com aspectos mais gerais e finalizando com conceitos mais específicos.

 

Quadro 4 - Objetivos e finalidades associadas ao 4º Momento

4º Momento

Aula

Objetivos e finalidades

I. Estabelecer, em definitivo, o comportamento corpuscular da luz;

II. Nominar as partículas que a compõem; apresentar a relação entre massa e energia proposta por Einstein;

III. Introduzir a fórmula de Planck para o cálculo da energia de um fóton;

IV. Derivar a expressão para quantidade de movimento do fóton. 

            Fonte: Os autores.

            Na primeira das duas aulas houve distribuição e subsequente análise de texto impresso, intitulado Fótons: Energia e Quantidade de Movimento, redigido pelos autores deste trabalho, por meio do qual foram atingidos todos os objetivos do momento em causa. Na aula seguinte, os alunos procederam ao cálculo da quantidade de movimento de fótons associados a algumas radiações do espectro eletromagnético.

 

5º Momento

            Muito embora este momento não se enquadre dentro da estrutura de UEPS prevista por Moreira (2011), o introduzimos, assim como se sucede com os demais dois em que há a aplicação dos jogos, almejando que se concretizasse como indutor de ânimo ao estudo dos tópicos subsequentes e retomada do que se passou. Além disso, não se pode perder de vista o caráter multifuncional dos jogos, com contribuições desde ao desenvolvimento da cognição, passando pela promoção da socialização e afeição (MIRANDA, 2001).

 

Quadro 5 - Objetivos e finalidades associadas ao 5º Momento

5º Momento

Aula

Objetivos e finalidades

Aplicar o Jogo Pedagógico Nível 2 com o intento de promover consolidação para o que foi, e estímulo ao que será trabalhado.

            Fonte: Os autores.

6º Momento

            Orientando-nos pelo 5º passo de uma UEPS, procedemos à retomada dos aspectos mais gerais, porém em um nível mais alto de complexidade em relação à apresentação precedente. O recurso a situações-problema mais sofisticados se fez presente (MOREIRA, 2011).

 

Quadro 6 - Objetivos e finalidades associadas ao 6º Momento

6º Momento

Aula

Objetivos e finalidades

I. Analisar tabelas onde se dispõem energias de ionização de certos átomos, e energias de algumas das ligações moleculares que compõem nosso corpo;

II. Classificar as radiações em dois distintos grupos: ionizantes e não ionizantes.

Examinar as consequências da colisão de fótons pertencentes aos dois grupos referidos com moléculas de DNA presentes em células do corpo humano.

            Fonte: Os autores.

            Analisou-se as energias de ionização e de ligação molecular de alguns átomos e moléculas abundantes na natureza, e posteriormente se solicitou o cálculo da energia transportada por alguns fótons a fim de classificar as radiações em ionizantes e não ionizantes. Enquanto as primeiras são assim chamadas pelo fato de transportarem energias típicas acima de 14 eV e serem capazes de ionizar uma molécula de ar (TUBIANA e BERTIN, 1990), as outras, embora não provoquem ionização, quando incidem sobre a pele, por exemplo, podem causar um aumento de temperatura percebido ou não pelos sensores térmicos naturais, a depender do tempo de exposição, da intensidade da radiação e da espessura do tecido (SILVA et al, 2015).

            Na segunda aula, tendo sido iniciada pela situação-problema O que ocorrerá com uma molécula de DNA após de submeter à incidência de radiações ionizantes e não ionizantes?, os efeitos da interação de diferentes radiações eletromagnéticas com o nosso corpo – interações estas da mesma espécie que aquelas presentes no efeito fotoelétrico e no espalhamento Compton em razão do interesse nos níveis baixo e intermediário de energia dos fótons envolvidos (YOSHIMURA, 2009) - em especial com uma molécula de DNA, foram tratados.

            O destaque especial conferido às moléculas de DNA se justifica em decorrência da função que assumem nos processos relativos à manutenção da vida como um todo (TUBIANA e BERTIN, 1990).

 

7º Momento

            O 6º passo constituinte de uma UEPS foi caracterizado pela conclusão da unidade com a retomada das características mais relevantes do conteúdo à guisa de uma perspectiva integradora, em harmonia às normas de Moreira (2011).

 

Quadro 7 - Objetivos e finalidades associadas ao 7º Momento.

7º Momento

Aula

Objetivos e finalidades

10ª e 11ª

Apresentar trabalhos versando sobre as implicações biológicas das interações entre radiações ionizantes e não ionizantes com os seres vivos.

12ª

Recordar acontecimentos históricos que retratam as consequências tanto do mau uso, quanto da utilização imprudente, de tal energia nuclear, de onde provêm radiações ionizantes.

            Fonte: Os autores.

            Nas duas primeiras aulas houve apresentação dos trabalhos pelos grupos. Na última, considerações de vídeos sobre os acidentes de Chernobyl e Goiânia (com o césio 137), e debate acerca dos benefícios e males provocados pelas radiações ionizantes foram levadas a cabo, com especial realce à interação das radiações ionizantes com moléculas importantes, como a de DNA, provocando desde mutação genética à morte celular (OKUNO, 2013).

 

8º Momento

            Antes de passar à avaliação final, neste momento uma recordação dos últimos conceitos trabalhados foi instigada pela participação no jogo em questão.

 

Quadro 8 - Objetivos e finalidades associadas ao 8º Momento.

8º Momento

Aula

Objetivos e finalidades

13ª

Aplicar do Jogo Pedagógico Nível 3 para o encerramento da sequência didática.

            Fonte: Os autores.

9º Momento

            Aplicação da avaliação final em conformidade com o 7º passo da composição de uma UEPS, a ser tomada em pé de igualdade com a avaliação formativa materializada nas situações, tarefas resolvidas colaborativamente e registros do professor (MOREIRA, 2011).

 

Quadro 9 - Objetivos e finalidades associadas ao 9º Momento.

9º Momento

Aula

Objetivos e finalidades

14ª

Submeter os alunos à avaliação final.

            Fonte: Os autores.

 

            A figura 5 apresenta uma síntese, em termos esquemáticos, do delineado acerca da sequência didática:

 



Figura 1 - Diagrama esquemático inter-relacionando passos, momentos e tópicos da UEPS.

Fonte: Os autores.

Referência

 

SOUZA, R. B. de; CASTRO, L. M.; CAMPOS, S. S. Conceitos modernos propelidos por jogos pedagógicos em um pano de fundo clássico: UEPS sobre a interação das radiações com a matéria. Revista Experiências em Ensino de Ciências. Disponível em: https://if.ufmt.br/eenci/artigos/Artigo_ID720/v15_n2_a2020.pdf. Acesso em: 12 dez. 2020.

 

O Regente

Nesta oportunidade intento divulgar um trabalho que realizei ano passado, 2020, durante a pandemia de Covid-19, que culminou na publicação, ...